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26.2.09

Igualmente.

Somos de natureza contrária.
Um de nós pode destruir o outro, mas só por fora,

uma onda que vem
de muito longe, demora a chegar
à praia, ao sol que soçobra
no lugar onde nós estamos,
entregues, entristecidos. Dentro,
no interstício de silêncio
ameaçado pela despedida, sempre
de despedida ameaçado, nenhum
de nós* será destruído nunca,
a memória da rua com plátanos,
o pólen mordente da primavera,
o cântico dos pardais. Não,
eu não quero esse amor indeciso
que soçobra num frio inebriante:
cada um com o outro tenta conservar
o seu ser, a identidade que sorri
na janela do quarto que fica por fechar.




Joaquim Manuel Magalhães


_

* para ti, que crês que te sou igual sempre que te estranho.



5.1.09

Para o Nada


"Crente é pouco
sê-te Deus

e para o nada que é tudo

__inventa__caminhos____teus____"


Agostinho da Silva, Uns Poemas de Agostinho






23.11.08

(uma questão de) Ângulo



...
Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes

Que um Outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes -
Um outro que eu não posso acorrentar...

(Barcelona, Setembro de 1914)

Mário de Sá-Carneiro