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24.9.11

Primeiras folhas

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.

Despedida, de Cecília Meireles


23.9.11

sobre o regresso

Tanto tempo depois deu-me para regressar à blogosfera. Não sei bem porquê. Sei que foi, primeiro, porque a conta não foi cancelada, e segundo porque me deu muito prazer reencontrar-me aqui, reencontrar-me com a(s) minha(s) vida(s) dos meados do ano de 2007 até 2009. Souberam-me estranhamente bem as memórias. Foi terapêutico. É que eu, mais que bloguista sou um gajo que gosta de sublimar e depois da coisa tar resolvida: acabou! tudo prás suas casas que esta gente quer-se deitar!» 
Seja como for, regresso. Regresso porque sim, porque neste preciso momento quero. Regresso com outras cores, com uma nova perfiláxia - uma roupinha nova para a ocasião.
Este post é para mim, o Fred de hoje, e para o Fred que existiu entre 2007 e 2009. É para os meus seguidores (não consigo dizer esta palavra sem uma pontinha de desconforto), para os meus amigos, para os meus amores e para um ou outro anónimo que por aqui tropece. 
Seja bem-vindo! Sejam bem-vindos!

13.7.08

cresço


Não quero ser um deus ou um herói

apenas tornar-me um árvore

crescer um longo tempo,

e não ferir ninguém.


Czeslaw Milosz

Imgem: Gustav Klimy, Bushenwald