17.12.07

(Nada nem niguém saberá o meu nome exacto)

...

Sou uma coisa meio branca, uma coisa que simula;

Um género de homem-bomba na terra do nunca.

Procuro o fruto

Desmancho o miolo até à casca

Fora do mais denso negro centro

(a luta antes da luta)

Encontro uma asa na palma da mão

Ela se fixa

Quase transparente entre a sílaba e o tumulto

E penso: o que tenho para fazer neste mundo?

«Não teremos destruído nada se não destruirmos as ruínas»

Estou e estarei a saber todos os dias

Que gasto o futuro.

O presente forma um corpo que vem fortalecer a nossa nostalgia

O que torna mais profundo o último dia

de um único e repetido dia.

...



Sónia Bettencourt

14.12.07

Reverberação I

- ...

- Quanto a mim, ando cansado de andar por aí em pontes e pontas-de-pé.

- ...

- Sim. Tenho andado a tentar arrumar a minha casa. É uma espécie de exercício de reconciliação entre o pó e a luz. Entre as fogueiras e as marés. Coisas domésticas. (è que eu sei muito pouco de limites fora de mim.)

- ...

11.12.07

O teu |meu| mundo.

...

Ainda me fazes pensar, quase achar, que te amo.
Quase achar que o destino se enganou no caminho.
|Esperar que me toques é vicio que adoro e que me faz pensar.|

Foi mais um sol que nasceu mais uma vez igual.

O teu mundo é como eu,
Gosta de saber porquê,
|Só alguns sabem olhar esse fumo que é só teu.|

Ainda me fazes pensar, quase achar que te amo
O teu mundo é como eu_O teu mundo é como eu

O teu mundo é só teu... e meu.

|Ainda me alteras os passos se te vejo passar.|

Toranja