26.12.07

Sorri



No sol da manhã senti o teu calor.
Cantei,
pulei, brin qu e i...
Sorri da minha dor.

|Cadê meu amor?|

|A amoreira dá _A amora da flor.
A morena dá amor _A morena dá calor.
A amoreira também dá _Amor sem muita dor.
Não quero mais sofrer _Ó meu amor.
A amoreira também dá. A amoreira dá.

A morena dá amor. A amoreira dá.|

...

No sol da manhã senti o teu calor.
Cantei,
pulei, brin qu e i...
Sorri da minha dor.



...

Bob Sinclar_ Amora, Amor

17.12.07

(Nada nem niguém saberá o meu nome exacto)

...

Sou uma coisa meio branca, uma coisa que simula;

Um género de homem-bomba na terra do nunca.

Procuro o fruto

Desmancho o miolo até à casca

Fora do mais denso negro centro

(a luta antes da luta)

Encontro uma asa na palma da mão

Ela se fixa

Quase transparente entre a sílaba e o tumulto

E penso: o que tenho para fazer neste mundo?

«Não teremos destruído nada se não destruirmos as ruínas»

Estou e estarei a saber todos os dias

Que gasto o futuro.

O presente forma um corpo que vem fortalecer a nossa nostalgia

O que torna mais profundo o último dia

de um único e repetido dia.

...



Sónia Bettencourt

14.12.07

Reverberação I

- ...

- Quanto a mim, ando cansado de andar por aí em pontes e pontas-de-pé.

- ...

- Sim. Tenho andado a tentar arrumar a minha casa. É uma espécie de exercício de reconciliação entre o pó e a luz. Entre as fogueiras e as marés. Coisas domésticas. (è que eu sei muito pouco de limites fora de mim.)

- ...

11.12.07

O teu |meu| mundo.

...

Ainda me fazes pensar, quase achar, que te amo.
Quase achar que o destino se enganou no caminho.
|Esperar que me toques é vicio que adoro e que me faz pensar.|

Foi mais um sol que nasceu mais uma vez igual.

O teu mundo é como eu,
Gosta de saber porquê,
|Só alguns sabem olhar esse fumo que é só teu.|

Ainda me fazes pensar, quase achar que te amo
O teu mundo é como eu_O teu mundo é como eu

O teu mundo é só teu... e meu.

|Ainda me alteras os passos se te vejo passar.|

Toranja

6.12.07

Sunday (The Day Before My Birthday)



Sunday was a bright day _yesterday
Dark cloud has come into the way

|
They sing to the darkest night
Long before
|

Why can't I face it?
Am I too blind to see?
Why did he go?
Why did he leave me?
where


Sunday was a bright day yesterday
Dark cloud has come into the way


Oo-oo-oo-oo-oooo

La-la-la-la-la-la-la-la

...

Moby

2.12.07

Bang Bang


Bang! Bang!

Unzip my body.

Take my heart out

'Cause I need a beat to give this tune.

Ramalama (bang bang), Roisin Murphy

30.11.07

Dá-me ar.

Dá-me ar.
Dá-me espaço para respirar.
Dá-me tempo para sofrer.
|Quero álcool para comer.
Quero um muro para espancar até doer
...|
Dá-me _
ar.
Quero vento para tentar.
Quero luz só para me ver.
Quero ferro para trincar.
Quero olhar de frente o sol _até
queimar...
dáme ar .
Quero mais.
Quero um
trono para perder.
Quero um
quarto para gritar.
Quero gente para roer.
Quero um m-u-n-d-o para puxar _até morrer.

Dá-me
m a i s.
Quero terra para comer.
Quero deuses para lutar.
|Que o mais fácil é perder.
Que o difícil é pensar em acordar...|

Dá-me ar.
|Dou-te cor.
Dou-te vidas para cantar.
Dou-te raiva para dançar por cima do que é meu.|

Dá-me _ar.

Toranja

29.11.07

It's in our Hands


Look no further.
Look no further.
Look no further.

Cruellest almost
always to ourselves…
It mustn't get any better off.

It's in our hands _It always was.
It's in our hands _In our hands!
It's all there _In our hands.
It's all there _
In our hands

Well, now aren't we scaring ourselves
Unnecessarily?
Aren't we trying too hard?

'Cause it's in our hands.
It's in our hands.
|It's all there _It's in our hands.|

Look no further.
Look no further.
It's in our hands _It always was.
It's in our hands
It's in our hands
It's in our hands
It's in our hands



Bjork

26.11.07

...

_ Sabes a cerejas e a luas-cheias-de-verão, ≈¥©∞∆‡&.

_ ...

_ Afinal, sempre te vais apaixonar por mim...

_ Nunca.

_ Para ti ‘nunca’ é só mais um sinal de trânsito, Sininho.

_ ...

22.11.07

so bro k e n


...

my heart is so broken. in p i e c e s.

my heart is so broken _I'm puzzling.

here I go know _trying to run ahead of that heart-break-train.

|thinking _It will never catch up with me.|

Darling,

I'm trying to land this aeroplane of ours _gracefully.

But it seems just destined to crashcrashcrah.

i'm so bro|ken.

...

Bjork

16.11.07

A Noiva.



Chamavam-a “mulher de branco”, a propósito de uma personagem de telenovela e a propósito de uma certa necessidade humana-natural em cunhar os outros para que assim permaneçam menos estranhos aos outros.
Maria era o seu nome. Menina Maria,
A primeira vez que a vi, foi num fim de tarde de um pachorrento e doirado Outono.
Caminhava em passo apressado, com o seu vestido de uma cor antiga e branca, pelo meio da estrada.
Cheia de si mesma, ou vazia de outra coisa qualquer, dava passos largos e firmes, como se se desviasse de pequenos abismos.
Com os olhos fixos num misterioso ponto imóvel algures diante de si, percebia-se-lhe o desenho de um sorriso pacífico quase a tocar os seus olhos baços.
Á medida que caminhava, o vento desfazia-lhe o rolo de cabelo cinzento – que só desprendia quando se sentia sozinha, e que lhe chegava, em raiz, até às coxas porque deixou de o cortar desde um certo dia triste – acentuando-lhe a aparência insana da qual os outros troçavam e, no fundo, temiam.
Ás vezes, por breves instantes, os braços alaranjados do sol diluíam os sulcos que os anos lhe haviam gravado no rosto, e era uma menina-mulher bonita.
A história da mulher de branco era uma história triste, como são todas as histórias de um amor que acontece sem princípio nem fim.
Foi a senhora do 6º esquerdo que ma contou, em confidência e compaixão. «A Menina Maria. Foi deixada no altar há vinte e sete anos ou vinte e oito anos. Nunca ninguém soube o que aconteceu ao rapaz… Procuraram em todo o lado… e nada. E quando lhe disseram, na igreja, que não sabiam dele, parece que só sorriu e ali ficou até fazer noite. A pobre. Ficou assim, estragada, por amor.»
Continuou a falar-me das boas famílias a que os noivos pertenciam. Do belo par que faziam os dois. Das teorias que tinha sobre a tragédia. «Começou a ir todos os dias 18 de todos os meses à Igreja. Sempre entre as 3 e as 4 da tarde. Vestida assim. E vai pela estrada… e um dia, foi por alturas dos finados, chegou a ser atropelada por uma carrinha dos Correios! E do homem nunca ninguém soube nada. Nem polícia, nem ninguém.»
Comoveu-me a historia. Os amores tristes comovem-nos ou por inveja ou por piedade. Lembram-nos da sorte que temos em não sofrer assim, ao ponto de ficar estragado para sempre. E do azar que temos em não sofrer assim, ao ponto de ficar estragado para sempre. E é mais o sempre que nos chateia. Porque bem que podemos ficar estragados temporariamente, mas nunca para sempre. Porque é muito.
Nessa noite pensei nos meus amores tristes. Li cartas antigas. Vi fotografias. Enchi-me de saudades de momentos e pessoas e quis chorar um bocadinho – só para confirmar que ainda sabia chorar. Não chorei.
Fiquei obcecado com a história da Menina-Maria-De-Branco. Ás vezes, quando conduzia pelas ruas da cidade, esperava encontrá-la na rotina dos seus dias, numa outra pele menos intrigante. Acabei por descobrir que habitava uma velha casa senhorial, de pedra, sem luz e sem vizinhos (a única coisa que o seu pai lhe deixou herdar, por piedade, sobretudo). Descobri que não tinha um trabalho. Que não se lhe conheciam outras histórias senão a derradeira e trágica. Descobri que não fazia compras. Descobri que era um caridoso merceeiro quem lhe deixava, junto ao portão de ferro, os sacos com as coisas que alguém pagava, para que ela pudesse viver. Descobri que tinha família mas mais ninguém debaixo daquele tecto que poderia ruir a qualquer momento. Descobri que um dia, alguém a colocou num Lar, mas a menina Maria chorou muito e não comeu durante cinco dias, e alguém a resgatou daquele lugar monstruoso.
No dia 18 do mês seguinte, com as ruas já repletas de enfeites, luzes e sentimentos de Natal, exactamente ás duas da tarde, sentei-me à janela. Será que viria? E se… se curou? E se se deixar adormecer no velho cadeirão de pano floreado e púrpura, onde aos serões a mãe lhe ditava noções de bom comportamento e asseio? E se a porta de madeira velha e enguiçada da casa, onde passa os dias em segredo, não se quiser abrir, hoje?
(Costumo sentar-me à janela para ver o mar. A ver o sol e as estrelas sobre ele. A sentir a sua raiva. A olhá-lo como a um quadro ou como a um amor, quando dorme. A contar-lhe coisas sobre mim e a esperar que me devolva tudo o que lhe digo na próxima praia-mar. )
Naquela tarde febril, troquei o mar por aquela mulher. E decidi não ficar só à espera de a ver. Decidi segui-la, sem a sua autorização. Precisava de saber. Precisava, porque sim. Porque precisava conhecer tudo sobre a fatalidade do amor triste. Todas as suas dimensões destruidoras e salvíficas. Segui-a.

«Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu sei…mas não te encontro. Não te encontro. Eu sei. Eu sei. Eu sei...»
Não parava de dizer aquelas palavras em cascata. Como se pronunciasse um dilúvio. Uma epifania.
Caminhava com as suas mãos cerradas, como se a qualquer momento fosse esmurrar alguém ou alguma coisa. Ou como se alguém invisível, apertasse com as suas mãos as mãos dela.
Atravessava o frio cinzento daquela tarde de Dezembro, com a mesma cadência com que a vi da primeira vez. Desviando-se com precisão dos abismos. Um veleiro a rasgar o mar. Lembrei-me que um dia também caminhei assim. E, sem me aperceber, transformei-me nela.
Chegámos à igreja escura e gigantesca. Entrámos os dois. Sentou-se no último branco, junto à enorme porta. E eu no banco do lado. Sentou-se silenciosa, majestosa, a olhar para o altar onde se encimava uma cruz de oiro iluminada por algumas velas.
As suas mãos cerradas abriram-se-lhe, em flor, sobre o seu colo, e revelaram, dois anéis amarelos. E sem tirar os olhos da cruz iluminada, começaram a nascer-lhe lágrimas brancas e espessas que lhe caíam sobre os anéis, sobre as palmas das mãos, sobre o vestido. Como se os regasse. Como se se regasse a si mesma. E as mesmas palavras… em murmúrio… sempre as mesmas palavras… «Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu sei. Eu sei…mas não te encontro. Não te encontro. Eu sei. Eu sei. Eu sei. Não te encontro. Não te encontro…»
Depois, uma luz estranha em forma de lábios desceu sobre ela. Beijou-lhe as palmas das mãos e desenhou-lhe no rosto o sorriso mais belo e bondoso que alguma vez vi.
Ela ergueu-se, enorme, como se dominasse o universo inteiro e conhecesse todos os seus recantos, e caminhou, sem tocar no chão, na minha direcção.
Baixei a cabeça, fiquei imóvel e envergonhado por ter sido descoberto. Senti o meu coração bater como se quisesse fugir dali.
Colocou-se atrás de mim e pousando a sua mão fechada sobre o meu ombro sussurrou-me ao ouvido. «Um Amor nunca é triste. O Amor não estraga, consome. Eu sei. Eu sei todas as coisas que ele me diz. Sinto todas as coisas. Mas não o encontro. Não o encontro. Aqui. E enquanto eu permanecer aqui, vou querer, sempre, procurá-lo. É a minha bênção e a minha maldição. Agora chora.»
E chorei porque me sentia atropelado e confuso e a arder por dentro.
Ela abandonou a igreja. Quis sair dali e correr atrás dela. Fazer-lhe perguntas. Todas as perguntas. Compreender aquela transfiguração. Compreender aquelas palavras. Saber o que ela sabia. Mas não consegui. Deixei-me ficar sentado naquele banco, a chorar.

Nunca mais vi aquela mulher.
Esperei por ela, na minha janela, no primeiro dia 18 do novo ano, mas ela não passou. Depois, em Fevereiro procurei o caridoso merceeiro e descobri que a Menina Maria tinha morrido.
Foi encontrada, sentada à porta de sua casa, de mãos abertas sobre o colo, com o seu vestido branco. «Parecia uma santinha, coitada. Telefonei logo à Polícia e ao senhor que me mandava o dinheiro para pagar as coisinhas que lhe levava ao portão todas as segundas e quintas e sábados. Ele também chorou muito.»
Disse-me que ela tinha ao pescoço dois anéis amarelos colocados num fio de lã vermelha. E que estava a sorrir. «Parecia ter menos vinte e sete ou vinte e oito anos.»
Disse-me também que, ao contrário do que sempre pensou, na sua velha casa tudo estava limpo e arrumado no seu lugar.
Disse-me, como se ao mesmo tempo cometesse um pecado, que a menina Maria parecia uma verdadeira noiva.


A noiva mais amante e amada do mundo.






9.11.07

Não tenhas medo.


Anda cá, palerma, não chores. Eu abraço-te, vá.... Hmmmmmm... Mais força, anda lá, aperta! Onde estão esses músculos? Estás a rir-te de quê, minha tola? Aiiii... Então ainda agora choravas!! Pronto... estava a brincar. Chora, minha linda, chora à vontade. Deixa sair. Eu estou aqui, sabes que não saio daqui até o teu sorriso voltar. Até te sair do corpo o mal que te fizeram. Chora mais. És bonita quando choras. Porque choras só quando precisas muito. (Não oiço o que dizes. Não percebo o que dizes. Mas faz sentido.) Eu sei, foram maus. Magoaram-te sem tu estares à espera. Fizeram-te acreditar, esperaram que despisses a armadura e feriram-te de morte quando, nua te entregavas. Sim, não merecem que estejas assim, mas desabafa tudo agora. Eu sei, o mundo é mau, não está preparado para gente como tu. Tu dás muito, dás demais. Isso assusta, sabias? Não, não sejas tonta, eu não disse que a culpa é tua. És uma utópica, hás-de sê-lo sempre, não aprenderás nunca. Acreditas em amores assolapados, sinceros, sem teatros e sem paredes. Isso não existe, minha querida, tens de ser actriz, tens de entrar no jogo da sedução, do gato e do rato. Não penses em companheiros para sempre, não penses na conjunção do teu melhor amigo com o teu amante. Isso não existe, linda. “O amor é uma coisa, a vida é outra”, lembras-te? É aquele texto do MEC que descobriste há uns meses atrás e não te cansavas de repetir. (Tenho-o relido muito ultimamente) Tu escolhes o amor e o resto do mundo escolhe a vida, é só isso. Não, não tens culpa, eles também não. São pobres emocionalmente, não estão preparados para ti. Nem para a ostentação do teu amor. É bom ver-te amar. Mas assusta a dimensão com que o fazes. Foi só isso.

Chora, chora tudo agora. Até te doerem os abdominais, até te arder o peito, até te estalar a cabeça.

Não tenhas medo, o sorriso vai voltar.



Ana Andrade

8.11.07

The Greatest


Once I wanted to be the Greatest
No wind of waterfall could stall me.
And then came the rUsH of the f l o o d
Stars of night turned deep to
dust.

Melt me down
Into big black armour

Leave no trace of grace
Just in your honour
Lower me down

To culprit south
Make 'em wash a space in town
For the lead

And the dregs of my bed
-I've been
sleepin'-
Lower me down.

Pin me in.
Secure the grounds
For the later parade.

|Once I wanted to be the greatest
Two fists of solid rock
With brains that could explain

Any feeling. |




Cat Power


29.10.07

You are my sweetest downfall.


Perdi’me no teu caminho. A caminhar para ti. |Atrás de ti?|

Perdi’me na procura de uma ponte que unisse as nossas margens. Que te pousasse do lado de cá, que me asilasse no lado de dentro do teu coração, dos teus braços e versos.

Perdi’me a teu caminho.

Deveria ter saído quando pude do atalho nocturno que criei e enfeitei com estrelas e sonhos e fitas coloridas.

Deveria ter parado a canção que na minha cabeça te desenhava em cada nota _sempararsemparar. Distraí’me. _Perdoas’me?

Estou cansado de caminhar, de chorar, de acreditar. Pesam’me tanto as palavras que guardo para ti e que, numa linguagem desconhecida, te digo a toda-toda a hora.

Por isso vou’te deixar. |Voltar para trás ou para a frente?|

É mais fácil pensar que me perdi por cansaço. Que decidi apenas quedar’me sentado numa pedra verde do teu caminho. Ou numa pedra verde do meu caminho parecida com uma que encontrei no teu caminho.

E só assim viverei o resto dos meus dias _espontaneamente.

«You are my sweetest downfall…I loved you first… I loved you first…» _ és, hoje, essa canção da Regina Spektor. |…S-e-m-p-a-r-a-r-s-e-m-p-a-r-a-r…|

Amo’te. (e acho que hoje só planeava dizer’to ao ouvido).

«You are my sweetest downfall
I loved you first… I loved you first
beneath the sheets of paper lies my truth
I have to go… I have to go…»


28.10.07

Tremble (goes the night)



Tremble goes ... Tremble goes the night.
Tremble goes ... Tremble goes the night.

Gettin' stupid ... flashlight face.
Strangers got ... the clearest eyes.
Nothin's worth envy, but I can't help myself.
Go find your glory, |ya| don't need my help.
When it explodes, |ya| better line up to bet.
_The dead don't have birthdays, they just forget._

Tremble goes the night ... Tremble goes…
Tremble goes the night… Tremble goes ...


Shadows sparkle ... streetcars burn.
All of God's drunks ... we wait our turn.
So you're leavin' ... write it on a cake.
I'll take a piece ... and I'll join the wait.
When you get back, we'll find a heart and soul chapel
See if there's anything, left to unravel.

Tremble goes the night ... Tremble goes…
Tremble goes the night… Tremble goes ...





*_ The Walkabouts

22.10.07

…meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos

a noite é um poema que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.


Maria do Rosário Pedreira

19.10.07

13.10.07

Especiarias


Deve existir uma outra
noite

onde caibamos todos

inocentemente felizes
a comer laranjas
e a discutir problemas de aromas
de flores



Francisco Duarte Mangas

5.10.07

Errados Lados


Largaram-me a mil metros do chão .
Largaram-me porque me agarrei
numa alucinação de vida
que me enchia o
coração
e que agora vejo perdida…
num cair que ___já não sei.

Largaram-me a m-i-l metros do
chão .
|Reparo o sol que se afasta no ar|
Rasgo caminho onde o vento dormia
Adormeço sentidos no meu
furacão
enquanto sol anuncia o dia
sinto o meu corpo, desamparado ___ desli z a r ____

Perdi-te do lado errado do coração. Perdi-te do lado errado do coração.
Mas és tu o meu chão. És tu meu chão. |
Eras tu o meu chão.|

Enquanto caía _a terra rac hou
e eu via a queda ainda mais fu
nda
Ao meu lado passava tudo o que passei
comigo a miragem que nada mudou
do voo rasante que nem começou
do tempo apressado que nem reparei.

Sinto os meus gestos fLuTuAr, d e v a g a r
no último segredo antes do ódio
À minha frente um filme de aves sem voz
e quando as ouvi resolvi gostar
Quando as senti fiquei a a_mar
_ter tentado subir ao cimo de nós_

Amei-te do lado errado do coração. Amei-te do
lado do coração errado.
Mas és tu o meu chão. És tu meu chão. És tu meu chão...

Não sei ao que chamam lados do coração. Não sei ao que chamam lados do coração.
És tu o meu chão.
|És tu o meu chão.|

És tu meu chão.

Toranja

29.9.07

Arrumos


Voltei a arrumar a casa.

Lancei pela janela o pó cinzento dos dias sem ti.

Agora, e outra vez, a tua bandeira içada ao vento e ao brilho morno do sol.

Varri, no entanto, para debaixo dos móveis, alguns restos de lágrimas e lava que ali se quedarão, silenciosos, como cicatrizes que não podes descobrir porque não quero que suspeites do meu incondicional e_terno amor.

|Amor.|

Mas devolve-me as minhas asas.

As que usas para me veres cá em baixo, pequenino.

E da próxima vez que partires _separtiressepartires_ poderei também partir e atalhar pelo mundo atrás de ti.

Ou quedar-me apenas sentado num arco-íris sempre arrumado.

Sem pó. Sem moveis. Sem bandeiras.


11.9.07

desired constellation


It's tricky when

You feel someone
Has done
Something on your behalf

It's slippery when
Your sense of justice
Murmurs underneath

And is asking you
How am I going to make it right?
How am I going to make it right?

With a palm full of stars
I throw them like dice
(repeatedly)

On the table
(repeat - repeatedly)
I shake them like dice
And throw them on the table
Repeatedly
(repeatedly)
Until the desired constellation appears

How am I going to make it right?
How am I going to make it right?
How am I going to make it right?

(And you hear - how am I going to make it right?)

How am I going to make it right?
How am I going to make it right?

(How am I going to make it right?)


Björk



3.9.07

Hearts and flowers


Hearts and flowers
A picture of what a love should be
But when it comes
He's deeper than
The darkest sea

Sometimes I'm so alone
Even in your arms
Like each of us
Keeps a little wall
Inside our h e a r t s

Heads and flowers
Those people that
Make up valentines
Forget the flesh
And blood of love
Like yours and mine

Sometimes I'm so alone
Even in your arms
Like each of us
Keeps a little wall
Inside our hearts

Heads and flowers
A candy coated fantasy
But in your soul I've found the one
My soul can see

Sometimes I'm so alone
Even in your arms
Like each of us
Keeps a little wall
Inside our hearts


Lamb

23.8.07

justify my love



I wanna kiss you in Paris.
I wanna hold your hand in Rome.
I wanna run naked in a rainstorm.

Make love in a train cross-country.
You put this in me... So now what, so now what?

|Wanting, needing, waiting _For you to justify my love.|

|Hoping, praying _For you to justify my love.|

I want to know you... Not like that...
I don't wanna be your mother.
I don't wanna be your sister either.
I just wanna be your lover.
I wanna be your baby.
Kiss me, that's right, kiss me.


|Yearning, burning _For you to justify my love.|

What are you gonna do? What are you gonna do?
Talk to me ____tell me your dreams.
Am I in them?

Tell me your fears ____Are you scared?

Tell me your stories.
I'm not afraid of who you are

We can fly!

_Poor is the man Whose pleasures depend On the permission of another_*

Love me, that's right, love me _I wanna be your baby...

I'm open and ready _For you to justify my love. To justify my love...

|Wanting, to justify. Waiting, to justify my love. Praying, to justify...
To justify my love.
I'm open, to justify my love.|


Madonna




...Oh Summer! Sweet Summer...




_'Poor is the man whose pleasures depend on the permission of another.'_ ;)

18.8.07

Elogio da Loucura



Digam de mim o que quiserem (pois não ignoro como a Loucura é difamada todos os dias, mesmo pelos que são os mais loucos), sou eu, no entanto, somente eu, por minhas influências divinas, que espalho a alegria sobre os deuses e sobre os homens.

Não nasci nem do Caos, nem dos Infernos; não devo a luz nem a Saturno, nem a Jápeto ou a alguma outra dessas velhas divindades sem valor. Pluto foi meu pai, esse Pluto que, não obstante Homero, Hesíodo e mesmo o grande Júpiter, é o pai dos deuses e dos homens; esse Pluto que, hoje como outrora, desarruma à vontade e põe de pernas para o ar as coisas profanas e sagradas: esse Pluto que conduz a seu capricho a guerra, a paz, os impérios, os conselhos, os tratados, as alianças, as leis, as artes, o que é sério, o que é divertido, (…).

Meu pai não me concebeu em seu cérebro, como Júpiter concebeu outrora a grosseira e mal-humorada Minerva; mas deu-me por mãe Neotetes, a Juventude, a mais bonita, a mais alegre, a mais folgazã de todas as ninfas. (…); nasci, como diz o bom Homero, em meio aos transportes deliciosos do amor.

(…); nasci nas ilhas Afortunadas, lugar encantador onde a terra, sem ser cultivada, produz sozinha os mais ricos presentes. (…)

Nascida nessa terra de encantos, meu nascimento não foi anunciado por meu choro; assim que vim ao mundo, viram-me sorrir graciosamente para minha mãe. Seria um grande erro eu invejar a Júpiter a felicidade de ter sido aleitado por uma cabra, pois as duas ninfas mais graciosas do mundo, Mete, a Embriaguez, filha de Baco, e Apédia, a Ignorância, filha de Pã, foram minhas amas-de-leite.

(…)

Ó céus! Acaso há homens mais felizes na terra que os comummente chamados de loucos, insensatos, bobos e imbecis? (…) Em primeiro lugar eles não temem de modo nenhum a morte, o que, certamente, não é uma pequena vantagem. Não conhecem nem os remorsos que as histórias dos infernos inspiram aos outros homens, nem os pavores que os espectros e almas do outro mundo lhes causam. (…) Não conhecem vergonha, nem temor, nem ambição, nem ciúme, nem ternura.

(…)

Entre os louvores feitos a Baco, o mais glorioso, certamente, é que ele dissipa as preocupações, as inquietações e os sofrimentos. Mas não por muito tempo: passada a bebedeira, o bêbado retorna aos desgostos de sempre. Não é a felicidade que proporciono aos homens bem mais completa e mais doce? Mergulho-os numa embriaguez contínua, a alma deles nada incessantemente num mar de prazeres e de delícias, e tudo sem lhes custar nada.

Mais generosa que outros deuses, que espalham seus dons apenas sobre alguns mortais, não aceito que um único homem seja privado de meus benefícios. Não é em toda a parte que Baco faz produzir essa bebida agradável que inspira a coragem, dissipa os desgostos e enche os corações de esperança e de alegria; Vénus raramente concede o dom da beleza; Mercúrio, mais raramente ainda, o da eloquência; as riquezas caem apenas sobre alguns amigos de Hércules; as coroas, sobre alguns favoritos de Júpiter; Marte ouve, às vezes, as súplicas dos dois exércitos inimigos, sem atender nem uns nem outros; Apolo consterna com frequência, por suas respostas, os que vêm consultar seus oráculos; (…)

Somente eu, essa Loucura que estais vendo, é que dou a todos os homens os bens que os deuses só distribuem a alguns de seus favoritos. E para isso não exijo nem preces nem oferendas; (…)

Os poetas não me devem tanta obrigação: sua condição mesma lhes dá um direito natural a meus dons. Eles constituem, como sabeis, uma nação livre, ocupada a todo o instante em adular os ouvidos dos loucos com frivolidades e histórias ridículas. E não precisam mais do que isso para se julgarem no direito de aspirar à imortalidade e mesmo de prometê-la aos outros. O amor-próprio e a adulação têm por eles uma amizade muito especial, e ninguém na terra me presta um culto mais puro e mais constante.

(…)

Todos esses pretensos sábios, que vejo rir com tanto gosto de todas essas coisas e que se comprazem tanto em zombar da loucura dos outros, acaso acreditam não me deverem nenhuma obrigação? Eles me devem muitas e grandes, asseguro-vos, e, se ousassem negá-lo, seriam os mais ingratos de todos os homens.

(…)

Mas, a propósito, esqueço que vos prometi terminar. De resto, se achais que tagarelei demais, ou se deixei escapar alguma extravagância um pouco forte, lembrai-vos, peço-vos, que é a Loucura, que é uma mulher que acaba de vos falar. Mas lembrai-vos também deste provérbio grego: um louco diz às vezes coisas boas – a menos que penseis que as mulheres sejam uma excepção a essa regra geral.

Os gregos diziam outrora: Odeio um conviva que tenha memória boa demais; eu vos digo agora: Odeio um ouvinte que se lembre de tudo. Adeus, pois, ilustres e caros amigos da Loucura, aplaudi-me, passai bem e diverti-vos.

Erasmo Desidério, Elogio da Loucura




_ «‘É uma infelicidade ser louco, viver no erro e na ignorância’. - Mas isso é ser homem, meus amigos!»

10.8.07

Pecado é




Falados os segredos calam
E as ondas devoram l é g u a s
Vou lhe botar num altar
Na certeza de não apressar o mundo
Não vou divulgar
|Só do meu coração para o seu|

Pecado é lhe deixar de molho
E isso lhe deixa louco
_Não, eu não vou me zangar
Eu não vou lhe xingar
Lhe mandar embora
Eu vou me curvar
Ao tamanho desse amor _Só o amor sabe os seus

Não, eu não vou me vingar
Se você fez questão
De vagar o mundo
Não vou descuidar
Vou lembrar como é Bom

E ao amor me render.


Tribalistas _Pecado é lhe deixar de molho

9.8.07

gorecki


If I should die this very moment
I wouldn't fear
for I've never known completeness
like being here
wrapped in the warmth of you
loving every breath of you
still my heart this moment
oh it might burst

could we stay right here
till the end of time until the earth stops turning
wanna love you until the seas run dry
I've found the one I've waited for

all this time I've loved you
and never known your face
all this time I've missed you
and searched this human race
here is true peace
here my heart knows calm
safe in your soul
bathed in your sighs
wanna stay right here
till the end of time
till the earth stops turning
gonna love you until the seas run dry
I've found the one I've waited for

the one I've waited for

all I've known
all I've done
all I've felt was leading to this
all I've known
all I've done
all I've felt was leading to this

wanna stay right here
till the end of time till the earth stops turning
gonna love you till the seas run dry
I've found the one I've waited for

the one I've waited for
the one I've waited for

wanna stay right here
till the end of time 'till the earth stops turning
gonna love you till the seas run dry
I've found the one I've waited for

the one I've waited for
the one I've waited for




Lamb _Gorecki

8.8.07

I Am Vertical




But I would rather be horizontal.
I am not a tree with my root in the soil
Sucking up minerals and motherly love
So that each March I may gleam into leaf,
Nor am I the beauty of a garden bed
Attracting my share of Ahs and spectacularly painted,
Unknowing I must soon unpetal.
Compared with me, a tree is immortal
And a flower-head not tall, but more startling,
And I want the one's longevity and the other's daring.

Tonight, in the infinitesimallight of the stars,
The trees and the flowers have been strewing their cool odors.
I walk among them, but none of them are noticing.
Sometimes I think that when I am sleeping
I must most perfectly resemble them--
Thoughts gone dim.
It is more natural to me, lying down.
Then the sky and I are in open conversation,
And I shall be useful when I lie down finally:
Then the trees may touch me for once, and the flowers have time for me.


Sylvia Plath

6.8.07

água_eu



... Despeste e mergulhas,
nadas por baixo da água e depois vens respirar acima
e mergulhas de novo.
Vi o teu corpo nu
acariciar e ser acariciado pela água.

imaginei que a água era eu. ...


pagan poetry



Pedalling through
The dark currents
I find
An accurate copy
A blueprint
Of the p l e a s u r e
In me

Swirling black lilies totally ripe
A secret code carved
Swirling black lilies totally ripe
A secret code carved

He offers
A handshake
Crooked
Five fingers
They form a pattern
Yet to be matched

On the surface simplicity
But the darkest pit in me
It's pagan poetry
Pagan poetry

Morsecoding signals |signals|
They pulsate |wake me up| and wake me up
|p u l s a t e| from my hibernate

On the surface simplicity
Swirling black lilies totally ripe
But the darkest pit in me
It's pagan poetry
Swirling black lilies totally ripe
Pagan poetry

Swirling black lilies totally ripe
....

I love him, I love him
I love him, I love him
I love him, I love him
I love him, I love him
|She loves him, she loves him|

This time
|She loves him, she loves him|
I'm gonna keep it to myself
|She loves him, she loves him
She loves him, she loves him|
This time
I'm gonna keep me all to myself
|She loves him, she loves him|
And he makes me want to hand myself over
|She loves him, she loves him
She loves him, she loves him|
And he makes me want to hand myself over


Björk

5.8.07

cinzas.



São horas. Fechas a porta. Deixas atrás o teu coração cheio e o nosso quarto vazio. Antes de abrires a porta do carro, levas o rosto ao espelho retrovisor, na esperança que ao menos ele te lembre que ainda existes.

Tens os olhos rasos de vida, minha pequenina.

Sentaste no banco do carro que sempre e tanto quisemos comprar.

Levas a chave á ignição e reparas na carica de cerveja que me levou a conhecer-te e depois a amar-te e depois a amar-me por te conhecer e amar.

Choras.

Apertas a carica até ela te magoar, mas não magoa, consegues apenas sangrar-te um pouco.

Pões o carro a trabalhar. Olhas, pela ultima vez queres pensar tu, para o apartamento que foi também nosso jardim, nossa quinta, nossa concha, nosso hotel, nosso universo. Dizes-lhe adeus. Soletras a palavra como se fosse a primeira vez que dizes adeus a alguma coisa. Choras mais um bocadinho. Aproveitas as lágrimas que te restam.

Olhas para o espelho e vês-te horrível, borratada, descabelada e gorda. Escutas-me a voz e nela o que te dizia quando te apanhava a chorar em frente ao espelho.

(Só a minha imagem me conforta. Sempre gostaste de ver tudo de ti. De ver-te nas coisas, nas emoções, nas relações. Quando não tinhas um espelho por perto, saías de ti e entravas na primeira coisa que se ligasse a ti. Este exercício, a que chamavas de auto-empatia, deixava-te de rastos. Sugava-te, porque de cada vez que te viravas para ti mesma tudo o resto ganhava mais distância. E ainda hoje sabes pouco do que és quando olhas o mar, ou quando tropeças no passeio, ou sentes aquele cheirinho a pão, ou quando fazes amor.)

Com o carro a trabalhar, tentas fazer o teu exercício mas agora em nada te consegues entranhar para te poderes ver. Nada te reflecte. Em nada te podes ver vista.

Já não choras. Tens os olhos vermelhos de parir tantas lágrimas.

De mãos no volante, olhas para nada. De tão pesada que tens a alma, os teus sentidos afogaram-se.

Ligas o rádio e, porque não queres tropeçar sobre nenhuma música que eu e tu já escutámos, escolhes as notícias. Mas as notícias do mundo não te afastam um milímetro de mim e de ti.

Enfureceste por já não teres lágrimas e depois por já não me teres a mim. Irritaste porque a culpa é minha de tudo. É.

Arrancas com o carro, furiosa. Voas. Decides finalmente levar-me para longe de tudo e, sobre-tudo, de ti.

Casas. Arvores. Lixo. Casas. Terra. Carros. Pessoas. Bichos. Casas. Arvores. Mas de nada disso te dás conta agora, porque pensas em mim e decides libertar-te de mim. Finalmente.

E lá vais tu olhando para os espelhos do carro, das montras, dos cruzamentos. (Sim, existes.)

Depois, como te pedi, retiras a capota do nosso lindo carro (tens tanta sorte em estarmos em Junho) soltas o teu cabelo cor de avelã que ainda tem restos dos meus beijos e colocas aquela minha música. «...let the show begin...» Alto. Mais alto. Muito alto. Vais passar por maluquinha, miúda.

Repeat. Repeat.

Chegas ao mar. O mar…

Entras no caminho de terra vermelha e segues até ao lugar que foi nosso ninho tantas vezes. Do coração chega-te a memória da noite em que amolgámos o capon do carro do meu pai enquanto estávamos na marmelada. Sorris e sacas mais um par de lágrimas aos teus olhos esgotados.

Repeat. «...But it's all just a show A time for us and the words we'll never know And daylight comes and fades with the tide...» Repeat.

Páras o carro. Lá ao fundo o sol acasala com o mar e inspiras bem fundo o cheiro de todo aquele cio de luz e água.

Exausta, consegues abrir as asas e partir em direcção àquele acasalamento divino. Reparas que saíste de ti. Finalmente. Vês-te á beira daquele precipício. Vês-te feia, desesperada, ao lado de um carro. Sorris outra vez e chamas-te estúpida e outros nomes. Ris-te enquanto á tua frente flutuam imagens em cores vivas que evocam instantes e do que foste, neles, aprendendo de ti.

Depois lembras-te de mim e regressas, apressada, ao meu encontro.

«...And daylight comes and fades with the tide _I'm here to stay.»

São horas.

Abres a porta do teu carro.

Estendes a tua mão quente e confias, de olhos fechados de nós, as minhas cinzas ao horizonte.