26.2.09

Igualmente.

Somos de natureza contrária.
Um de nós pode destruir o outro, mas só por fora,

uma onda que vem
de muito longe, demora a chegar
à praia, ao sol que soçobra
no lugar onde nós estamos,
entregues, entristecidos. Dentro,
no interstício de silêncio
ameaçado pela despedida, sempre
de despedida ameaçado, nenhum
de nós* será destruído nunca,
a memória da rua com plátanos,
o pólen mordente da primavera,
o cântico dos pardais. Não,
eu não quero esse amor indeciso
que soçobra num frio inebriante:
cada um com o outro tenta conservar
o seu ser, a identidade que sorri
na janela do quarto que fica por fechar.




Joaquim Manuel Magalhães


_

* para ti, que crês que te sou igual sempre que te estranho.



4 comentários:

Me Myself And I disse...

Maravilhoso!!!!!Perder a identidade é perder o nosso suco vital!!!!
Beijo!!!!!

Neusa disse...

Algumas pessoas nasceram para enfrentar a vida sozinhas, isso não é bom nem mau, é apenas a vida...(Paulo Coelho)

A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais...

fazes*m falta

Rabisco disse...

Fantástico.
O poema é muito bom!

Mas a dedicatória, acredita, não me vou esquecer...

...que crês que te sou igual sempre que te estranho...

=P
Muito bom!

Parabéns pelo blogue.

Abraço

Ofeliazinha disse...

Oh migo, é que agora não te largo. Quero ver aqui mais coisinhas.

Beijocas